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NOTA EXPERIMENTAL 01
Fibras Ópticas
por:  Antonio Carlos da Costa  - Telma V. Cardoso
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Importante !!! O objetivo desta nota experimental, é  somente facilitar o procedimento experimental no laboratório. Para a preparação da atividade, relatório e seminário não deixe de consultar a bibliografia sugerida.
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1 - Introdução: As Fibras Ópticas são finos fios feitos de sílica (substância vítrea) ou plástico, que são materiais dielétricos (isolantes elétricos) e transparentes para a faixa do espectro da luz visível e infravermelho próximo.
São guias de onda, e podem ser informalmente entendidas como "encanamentos de luz": a luz aplicada a uma das extremidades percorre a fibra até sair pela outra extremidade, podendo este percurso atingir
centenas de quilômetros sem a necessidade de que o sinal seja regenerado.
    Existem diversos tipos de Fibras Ópticas, cada um com características particulares e aplicações específicas.
a) Partes de uma Fibra Óptica
    A Fibra Óptica é composta de um núcleo (core) e uma casca (cladding). Uma ou várias camadas de material amortecedor de impacto e resistente à tensão mecânica (buffer) podem também estar presentes, para proteger fisicamente a fibra e evitar interferências externas.
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Fig. 1.1 - Configuração da fibra
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b) Como a luz é guiada
O mecanismo que guia as ondas de luz dentro da Fibra Óptica é baseado na Reflexão Interna Total (RIT) das
ondas, através do ajuste do índice de refração entre o núcleo e a casca, segundo a lei de Snell.
Lei de Snell:
                         (.1)
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Onde no é o índice de refração do núcleo, n1 é o índice de refração da casca e F é o ângulo entre o raio
incidente e a normal à superfície.
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Fig. 2.1 - Interface de dois meios com densidades diferentes
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A Fibra Óptica é projetada para que o ângulo de incidência dos raios de luz seja maior que o chamado ângulo
crítico Fc, permitindo a ocorrência da reflexão total. A determinação do ângulo crítico entre núcleo e casca leva também à
determinação do ângulo qa, que é o ângulo máximo em que os raios de luz podem incidir na Fibra para que sejam ser guiados
por ela.
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Fig. 3.1 - Reflexão interna total na interface nucleo - casca de uma fibra óptica.
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A partir de .1,  define-se um parâmetro denominado Abertura Numérica AN da Fibra:
                    (.2)
AN expressa o quão divergente pode ser uma fonte de luz tal que seus raios sejam guiados pela Fibra.
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Fig. 4.1 - Constante de propagação de modos guiados na fibra,  b em função da frequência normalizada V
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c) Modos
    A  luz é um campo eletromagnético cuja distribuição espacial recebe o nome de modo. No interior da Fibra, os conjuntos de
raios de luz que sofrem interferência construtiva constituem-se em modos do campo eletromagnético, ou seja, são
configurações geométricas possíveis dos vetores campo elétrico e campo magnético, distribuídas transversalmente à direção
de propagação do vetor de onda.
    Cada modo guiado pela Fibra Óptica, além de se diferenciar dos demais por suas características de distribuição espacial,
viaja a uma velocidade diferente dentro da Fibra. Este fato é responsável por um fenômeno chamado Dispersão Intermodal
que, somado ao fato de que cores diferentes também viajam a velocidades diferentes, ocasiona o alargamento temporal dos
pulsos de luz propagados pela fibra.
Rótulos LPnd
Os Modos são rotulados como LPnd , onde:
LP = linearmente polarizados;
2n = número de máximos da intensidade do campo em uma volta ao redor do eixo da Fibra;
d = número de máximos da intensidade do campo na direção radial.
    A figura abaixo mostra quatro modos guiados por uma fibra com perfil de índice de refração tipo degrau.
Estas imagens podem ser obtidas projetando-se a luz da saída de uma Fibra Óptica em um anteparo.
Fig. 5.1 - Resultados de simulações mostrando os padrões de alguns  modos guiados em fibras ópticas
d) Freqüência Normalizada
Um parâmetro popular na área de Fibras Ópticas é chamado Freqüência Normalizada V, definido como:
    (.3)
    Onde 2a é o diâmetro do núcleo da Fibra, l é o comprimento de onda da luz aplicada à Fibra e AN é a
Abertura Numérica.
    Fazendo V=2,405 (o primeiro zero da função de Bessel J0(x)), a Freqüência Normalizada permite projetar
uma Fibra Óptica que guie um único modo ou um grupo restrito de modos, para um dado comprimento de
onda.
    Fibra monomodo: guia um único modo ou número restrito de modos;
    Fibra multimodo: guia muitos modos
    A mudança entre monomodo e multimodo depende do design da Fibra:
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FIBRA
n0
n1
2a (mm)
MONOMODO
...1,46...
1,46+5%
5 a 10
...MULTIMODO....
1,46
1,46+10%
 50 ou 62,5
O número de modos que viajam em uma Fibra pode ser estimado pela relação:
         (.4)
    As Fibras multimodo podem possuir índice de refração tipo degrau ou tipo gradual. As Fibras tipo degrau
possuem a interface núcleo-casca bem definida e refletora, enquanto as Fibras tipo gradual possuem um
índice de refração que aumenta gradualmente em direção ao eixo da Fibra. A figura abaixo mostra o caminho
percorrido por raios de luz nos diferentes tipos de Fibra:
Fig. 6.1 - Tipos de fibras. Note os perfis de índice de refração e as formas dos pulsos de netrada e saida
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    Observe também a largura do pulso de luz de saída, mais largo devido ao fenômeno da Dispersão. Na Fibra
multimodo gradual, a Dispersão é menor que na multimodo degrau porque, embora os raios percorram
caminhos mais longos, fazem-no em maior velocidade.
e) Faixas do Espectro utilizadas pelas as Fibras Ópticas
Fig. 7.1 - Espectro de utilização das fibras ópticas
f) Atenuação
        A atenuação de sinais em Fibras Ópticas é um resultado de dois fatores: absorção e scattering
(espalhamento). A absorção é causada pela conversão da luz em calor pelas moléculas do vidro. Os
principais responsáveis por isso são o OH+ residual e elementos dopantes usados para modificar o índice de
refração. A absorção ocorre em comprimentos de onda discretos, determinados pelos elementos
absorvedores da luz. A absorção pelo OH+ é predominante, e ocorre sobretudo a cerca de 1000nm, 1400nm
e acima de 1600nm.
Fig. 8.1 - Fiber atenuation
    Entretanto, a mais comum causa para a atenuação é o espalhamento. Ele ocorre quando a luz colide com
átomos individuais no vidro. A luz que é espalhada em ângulos fora da abertura numérica da Fibra será
absorvida na casca ou transmitida de volta à fonte. O espalhamento E é uma função do comprimento de onda
l, pela relação  (onde K é uma constante). Assim, dobrando o comprimento de onda
reduz-se o espalhamento em 16 vezes. Por isso é vantajoso utilizar o maior comprimento de onda praticável
nas transmissões a longa distância, para uma mínima atenuação e máxima distância entre repetidores.
    Juntos, absorção e espalhamento produzem a curva mostrada acima.
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      (.5)
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    Os sistemas de transmissão de dados com Fibras Ópticas utilizam as "janelas" criadas entres as faixas de
absorção a 850nm, 1300nm e 1550nm, onde a física também permite a fabricação de lasers e detetores
facilmente. Fibras Ópticas de plástico possuem uma faixa de comprimentos de onda mais limitada, que
restringe o uso prático a fontes de luz de LEDs (Diodos Emissores de Luz) em 660nm.
g) Medição da Potência Óptica
    A  medição mais básica  que se faz em Fibras Ópticas em operação é a potência óptica na extremidade da
Fibra. Esta medição é a base das medições de perdas ou atenuação e das medições da potência de uma
fonte ou receptor. A potência óptica é baseada no poder de aquecimento da luz, e alguns instrumentos
efetivamente medem o calor quando a luz é absorvida em um detetor – isto funciona para lasers de alta
potência, mas estes detetores não são sensíveis o suficiente para os níveis de potência típicos dos sistemas
de comunicação com Fibras Ópticas.
    A potência óptica é medida em "dBm", ou "decibéis referenciados a 1 miliwatt de potência":
Medidores de potência óptica tipicamente utilizam detetores semicondutores, uma vez que eles são
extremamente sensíveis a luz nos comprimentos de onda comuns às Fibras Ópticas. A maioria destes
medidores estão disponíveis com três diferentes opções de detetores: Si (silício), Ge (germânio) ou InGaAs
(índio-gálio-arsênio).
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  h) "Terminação" ou Clivagem das Fibras
    Uma condição muito importante para que se acople bastante luz à Fibra tem a ver com a planicidade de sua
extremidade de entrada. Existem métodos manuais de clivagem (corte da Fibra) e outros que utilizam
equipamentos clivadores. Uma técnica manual consiste em estender e prender a Fibra sobre uma lâmina
flexível e aplicar um corte suave. A seguir, flexiona-se a lâmina, de modo que a Fibra se cliva ao longo da
direção definida pelo corte inicial. O suave corte inicial é quem determina a qualidade da face da Fibra
clivada. Os equipamentos clivadores existentes vão desde modelos simples para uso em campo até modelos
sofisticados com interfaceamento com computador. Equipamentos para a fusão de Fibras monomodo podem
chegar a custar $40.000,00.
    A área de terminação de Fibras é uma das que mais mereceu a atenção de fabricantes até o momento, uma
vez que um acoplamento mau feito leva a atenuações do sinal que implicam em baixas taxas de transmissão
de dados ou até a total interrupção de redes.
    Para as Fibras utilizadas em redes de telecomunicações, existe uma grande variedade de conectores
especiais para fazer a terminação, existindo até modelos que já vêm com cola "epoxy" em seu interior e lixas
para polimento da Fibra.
Fig. 9.1 - Visão lateral das extremidades de duas fibras ópticas.
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    Em alguns casos, os melhores conectores existentes ainda apresentam perdas equivalentes às perdas
sofrida pelo sinal após percorrer dezenas de quilômetros na Fibra!
i) Fibras Ópticas de Plástico (POF)
    Até pouco tempo, as Fibras Ópticas de Plástico vinham sendo usadas apenas para iluminação e curtos links de comunicação em baixa velocidade. Há atualmente um grande aumento no interesse sobre as Fibras de Plástico, à medida em que investimentos em pesquisa e desenvolvimento conferiram-lhe maior performance adição à facilidade de instalação e baixo custo.
Fig. 10.1 - Visão lateral das extremidades de duas fibras ópticas( Glass fiber e POF).
    A  Fibra de Plástico é uma Fibra multimodo degrau com núcleo grande, com diâmetro típico de 1mm. Este
grande tamanho torna fácil acoplar muita luz da fonte e faz com que os conectores não precisem de alta
precisão. Como resultado, os conectores – que compõem grande parte do custo das redes de computadores
a Fibras Ópticas – custam apenas 10 a 20% do valor dos conectores de Fibras de vidro, e a terminação das
Fibras pode ser tão fácil quanto cortá-la com uma navalha! Sendo de plástico, é também robusta e fácil de
instalar sem medo de danificá-la.
    Do ponto de vista óptico, as Fibras de Plástico convencionais possuem uma performance muito mais baixa
que as Fibras de vidro. A Fibra de Plástico apresenta uma perda de 0,15 a 0,2 dB por metro a 650nm, e sua
largura de banda é limitada por sua grande abertura numérica e perfil de índice degrau. Entretanto, é
adequada para uso em links curtos, como no interior de equipamentos, dentro de uma sala para conexões
desktop de até 50 metros ou em automóveis, onde estas Fibras ganharam apoio.
Fig. 11.1 - Low na POF for higher bandwidth.
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    Contudo, recentes desenvolvimentos na tecnologia de Fibras de Plástico levaram a uma Fibra de baixa
abertura numérica que oferece maior largura de banda e índice de refração gradual, o que combinou
a alta largura de banda das Fibras de vidro de índice gradual com o baixo custo das Fibras de Plástico.
    Designs atuais destas novas Fibras de Plástico oferecem até 2GHz de largura
de banda em distâncias de 100 metros, embora dificuldades de manufatura tenham impedido sua adoção.
    Recentes desenvolvimentos em um novo laser (VCEL – Vertical Cavity Surface Emitting Laser) prometem
transmissores de extremamente baixo custo, alta potência e alta velocidade.
    As Fibras de Plástico prometem sucesso para conexões LAN (Local Area Network) em desktop. Elas podem
ser instaladas em minutos com um mínimo em equipamento e treinamento, e os preços competem com os de
fios de cobre.
j) Como as Fibras Ópticas são construídas
Processo Produtivo empregado na Indústria norte-americana SpecTran (localizada em Sturbridge, MA,
http://www.spectran-fiber.com)
Reações Químicas
    O primeiro passo para obtenção das Fibras é o obter a "matéria bruta". Substâncias químicas ultra-puras,
principalmente o Tetracloreto de Silício SiCl4 e o Tetracloreto de Germânio GeCl4, são convertidas em vidro
durante a elaboração da "matéria bruta".
    A composição do núcleo das Fibras para comunicação de dados consiste primariamente de sílica, com
variáveis quantidades de germânio adicionado para aumentar o índice de refração conforme desejado. Fibras
monomodo tipicamente possuem pequenas quantidades de germânio e uma composição uniforme do núcleo.
Fibras multimodo tipicamente possuem um índice de refração bem maior e portanto muito mais germânio. A
composição do núcleo das Fibras multimodo muda ao longo do núcleo para conferir ao índice de refração
uma distribuição parabólica.
Fig. 12.1 - Deposição MCVD
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    Para a elaboração da "matéria bruta", é utilizado o processo de
Deposição de Vapor Químico Modificado (MCVD). No MCVD, uma mistura altamente controlada das
substâncias químicas (gases) envolvidas na reação de formação da "matéria bruta" é levada para dentro de
um tubo de vidro rotativo feito de puro SiO2 sintético. Este tubo é montado em um torno equipado com uma
tocha especial para aquecimento. À medida em que os gases fluem no interior do tubo, eles reagem com o
calor formando micro-partículas sólidas brancas chamadas de "fuligem", na vizinhança da zona de calor.
Formada a fuligem, ela é depositada na parede interna do tubo. Enquanto a tocha caminha sobre a fuligem
depositada, o calor as transforma em um vidro puro e transparente, no processo denominado vitrificação. O
material depositado formará a região do núcleo da Fibra
Óptica.
Fig.13.1 - Preform fabrication
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    O processo descrito é controlado por computadores em tempo real, sem intervenção humana, e é repetido
por várias horas enquanto cada camada do núcleo é formada. Para cada varredura da tocha, o fabricante
pode programar a composição, viscosidade e espessura da camada depositada com o objetivo de produzir
Fibras com formatos específicos. Isto, em conjunto à possibilidade de mudar a velocidade com que a tocha se
move e a temperatura da chama, confere ao fabricante a habilidade de produzir uma grande variedade de
tipos de Fibras ultra-puras.
    Após a desejada quantidade de material de núcleo ser depositada, o fluxo químico é eliminado, a velocidade
da tocha diminuída e a temperatura da chama aumentada, de modo que o tubo colapsa em uma barra sólida.
Ao final do processo, um operador separa a matéria bruta do resto da montagem de vidro, e a leva para o
próximo passo. O índice de refração da matéria bruta é medido utilizando um instrumento analisador, que
compara os valores medidos com especificações internas. Os parâmetros pertinentes são plotados
automaticamente em planilhas de controle estatístico revistas pelo operador a cada medição.
    O tubo de vidro inicial (SiO2 sintético) se torna parte da região da casca da matéria bruta. A casca é ainda
aumentada por um processo de junção, no qual outro tubo de SiO2 é fundido ao redor da matéria bruta
original, fornecendo a geometria necessária.
Fig. 14.1 - Torre de puxamento da fibra
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    O próximo passo é converter a matéria bruta produzida em uma Fibra
fina. Isto é feito numa operação chamada "desenho da Fibra". A ponta da barra da matéria bruta desce para
um forno de grafite de alta pureza. No forno, uma temperatura rigorosamente controlada em 1900oC amolece
a ponta da barra. A barra então derretida cai pela ação da gravidade como um fino fio esticado, que é
carregado por uma série de moldes sobre esteiras rolantes a uma velocidade entre 10 e 20 m/s. Neste
processo, lasers são usados para medir e garantir que a espessura da Fibra seja de 125mm com um erro
menor que 1mm. São feitas 750 medições de espessura por segundo. Se a Fibra tende a estar mais grossa
ou mais fina que o devido, a velocidade da esteira é respectivamente aumentada ou diminuída, num processo
automático continuamente realimentado.
    Uma vez nas dimensões adequadas, a Fibra passa pela aplicação de duas camada envoltórias protetoras –
uma camada interna suave e uma camada externa rígida. Estas camadas provêem proteção mecânica para
manipulação e proteção da superfície da Fibra contra ambientes hostis. As camadas são curadas por
lâmpadas ultravioleta. Todo o processo de desenho da Fibra é automatizado e normalmente não requer
intervenção humana.
k) Testes e Medições da fibra (Controle de qualidade)
    A última etapa na produção da Fibra é submetê-la a diversos testes, garantindo que atenda a rígidas
especificações e padrões. São feitos três tipos de testes: mecânico, óptico e geométrico.
    No teste mecânico, a Fibra é esticada e sobre ela é aplicada uma tensão de 100.000 libras/pol2 (~7Kg/cm2).
    Após este teste, a Fibra é cortada em tamanhos adequados e enrolada em grandes carretéis.
    Então, a Fibra é submetida ao testes ópticos para diversos comprimentos de onda, verificando-se diversos
parâmetros:
    - Atenuação: diminuição da força do sinal na distância;
    - Largura de banda: capacidade de carregar informações, um teste importante para Fibras multimodo;
    - Abertura Numérica: medida do ângulo de aceitação de luz;
    - Comprimento de Onda de Corte: em Fibras monomodo, o comprimento de onda acima do qual
    somente um modo é propagado;
    - Diâmetro do campo do modo: em Fibras monomodo, a largura do radial do pulso de luz no interior da
    Fibra; importante nas conexões entre Fibras;
    - Dispersão cromática: o alargamento dos pulsos de luz devido aos diferentes comprimentos de onda
    viajarem a diferentes velocidades no núcleo; nas Fibras monomodo este é um fator limitante da
    capacidade de carregar informações.
A Fibra é ainda submetida a testes geométricos:
    - Diâmetro da casca, núcleo e envoltório externo;
    -  Não-circularidade da casca, núcleo e envoltório externo;
    - Erro de concentricidade do envoltório;
    - Erro de concentricidade casca-núcleo.
Periodicamente, são feitos testes mecânicos adicionais:
    - Tensão do envoltório;
    - Faixa de temperatura de operação;
    - Dependência da atenuação à temperatura;
    - Ciclo temperatura-umidade;
    - Envelhecimento acelerado;
    - Submersão em água.
2 - Sugestões de atividades
    Nesta atividade pretendemos que voce possa:
a) - A partir de poucos dados sobre uma fibra óptica, prever se ela é multimodo ou monomodo em alguma região do espectro.
b) - Distinguir uma fibra estritamente monomodo de uma fibra com um pequeno numero de modos guiados em um certo comprimento de onda usando a definição do parametro frequência normalizada V.
c) - poder contar os mdos de uma fibra quase monomodo.
d) - Estimar o numero de modos guiados em uma fibra monomodo.
e) - Reconhecer o modo que esta sendo guiado a partir do padrão que ele forma em uma tela.
Para isso vamos usar tres tipos diferentes de fibras ópticas cujos parametros serão fornecidos aos alunos, que serão acoplados a um laser de He-Ne ( l = 633 nm) atraves de uma objetiva de microscópio.
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3 - Procedimento experimental
    a) A fibra óptica embora de grande tolerância mecânica e de grande flexibilidade, é uma estrutura que se quebra quando submetida a pequenas curvaturas. se a fibra se quebrar em algum ponto, ela ficara "cega"e praticamente não transmitira luz alguma. Assim, tenha muito cuidado ao manusear a fibra !!!.
    Outro cuidado diz respeito às faces da fibra.  Como voce ja leu no item 1-h (Terminação e clivagem), a planicidade  da extremidade é muito importante para a operação da fibra óptica, as faces das fibras que voces receberão foram clivadas no Laboratório de Fibras Ópticas do IFGW, portanto procure não tocar as extremidades da fibra !!!.
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Fibra 
 2a (mm)
AN 
Multimodo (s/n) 
 Monomodo (s/n)
 1
 6
 0.08
 
 
 2
 50
 0.21
 
 
 3
 6
 0.11
 
  
Parâmetros das fibras a serem usadas na experiência
    b) Estimando o numero de modos guiados:
    Agora faremos uns pequenos cálculos para estimar o número de modos guiados pelas fibras. O comprimento de onda que deve ser usado nos cálculos é de 633 nm ( linha laranja de um laser de Helio - Neonio). Voce deve calcular a frequencia normalizada V usando a relação as relações (.2) e (.3) e seguir para a figura 4.1, onde os modos guiados possíveis poderão ser contados. No caso de uma fibra multimodo, espere um valor de V muito grande e estime o número de modos usando a relação (.4).
    Complete o quadro abaixo com os valôres encontrados.
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Fibra...No.
Número de guiados
1
.
2
.
3
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    Para o caso das fibras monomodo ou quase monomodo, calcule agora qual é o comprimento de onda de corte. Para isso faça V= 2.405 na relação (.3) e use os parametros das fibras que lhe foram dados.   Complete a tabela acima com os valores encontrados.
    Talvez seja delicado acoplar  a luz do laser de He-Ne às fibras, isto é esperado, uma vez que voce estara tentando focalizar um spot de dimensões reduzidas. Observe  que a fibra esta colocada em um leito em "V", solidário a um mecanismo "X, Y, e Z" para ter o tres graus de liberdade no posicionamento. Temos tambem uma objetiva de microscópio ( 10x) a qual focaliza o feixe do laser na extremidade da fibra.
    Para observar os modos guiados, projete a luz de saída da fibra em uma tela posicionada a uma certa distância da extremidade da fibra.
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4 - Bibliografia:
A literatura sobre fibras ópticas é extremamente vasta. Existem inúmeros trabalhos em revistas internacionais como:
- Optics letters
- Apllied optics
- Journal of lightwave technology
- Journal of the optical society of America
Alguns livros básicos sobre o assunto e que estao disponíveis na nossa biblioteca:
- John E. Midwinter, "Óptical fiber for transmission", N. York, Wiley (1979)
- S. E. Miller and A. S. Chynoweth, "Optical Fiber Telecomunication" , Academic Press, (1979).
- B. Culshaw, "Optical Fiber Sensing and Signal Processing", London Peter Peregrinus (1984).
- W. F. Giozza, E. Conforti e H. Waldman, "Fibras ópticas  tecnologia e projetos de sistemas" , Makron Books do Brasil Editora Ltda (1991).
Tambem disponíveis na biblioteca, algumas teses:
- Telma Vinhas Cardoso, "Lancamento de luz em fibras opticas multimodo e sua influência nas caracteristicas de dispersão", Tese de mestrado - Abril/84.
- Valeria Loureiro da Silva, "Aplicações de fibras ópticas na geração de pulsos ultracurtos", Tese de  doutorado abril/90
5 - Aplicações
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a) Uso de Fibras Ópticas na Medicina:
    Confecção de endoscópios com feixes de Fibras Ópticas para iluminação;
    Uso de Fibras como ponta de bisturi óptico para cirurgias a laser, como:
    Cirurgias de descolamento de retina;
    Desobstrução de vias aéreas (cirurgias na faringe ou traquéia);
    Desobstrução de vias venosas ("limpeza" de canais arteriais, evitando pontes de safena);
    Uso odontológico: aplicação de selantes.
Vantagens do uso das Fibras:
    São pequenas (5mm);
    Evitam conexões elétricas no paciente;
    São livres de interferências eletromagnéticas;
    Podem ser esterilizadas.
b) Fibras Ópticas na Instrumentação: sensores
Um sensor é um dispositivo que atua como um transdutor: "traduz" o sinal causado pela propriedade física do
meio em estudo (como pressão ou temperatura) em um tipo de sinal cujas características têm informações
sobre o fenômeno ocorrido.
A sensitividade dos sensores a fibra, ou seja, o distúrbio menos intenso que pode ser medido, pode
depender de:
    Variações infinitesimais em algum parâmetro de caracterização da fibra usada, quando a fibra é o
    próprio elemento sensor;
    Mudanças nas propriedades da luz usada, quando a Fibra é o canal através do qual a luz vai e volta do
    local sob teste.
    Os sensores a Fibras Ópticas são compactos e apresentam sensitividades comparáveis ou superiores ao
similares convencionais. São usadas tanto Fibras monomodo como multimodo. Existem muitos sensores
comerciais feitos com Fibras Ópticas, para medição de temperatura, pressão, rotação, sinais acústicos,
corrente, fluxo, etc.
Emprego de Fibras Ópticas na construção de sensores:
    Sensores interferométricos utilizando Fibras monomodo. São usados dois "braços" de Fibras com
    comprimentos iguais aos quais é acoplada luz. Um dos braços atua como referência e o outro vai ser
    submetido a algum distúrbio do ambiente. A luz de saída das duas Fibras é recombinada, formando um
    padrão de interferência. À medida em que o braço sensor sofre as influências do distúrbio, as franjas de
    interferência se deslocam a uma razão que é proporcional à intensidade do distúrbio cuja magnitude se
    deseja medir;
    Se a intensidade de luz acoplada a uma fibra quase monomodo é medida em um certo instante de
    tempo após o qual submete-se a fibra a micro-curvaturas (geradas por variações de pressão de ondas
    acústicas, por exemplo) espera-se uma diminuição na intensidade de saída porque os modos de ordens
    mais altas encontrarão o seu corte, devido às variações na diferença de índices de refração entre o
    núcleo e a casca induzidas pelas micro-curvaturas.
Exemplos de sensores construídos com Fibras Ópticas:
    Micro pontas de prova para medição de temperatura: as pontas de prova são equipadas com
    transdutores nas pontas, os quais possuem um cristal cuja luminescência varia com a temperatura (-50 a
    +200oC);
    Sensores de pressão construídos com o emprego de uma membrana móvel numa das extremidade da
    Fibra. A Fibra é encapsulada em um cateter e a membrana se movimenta de acordo com a pressão (0
    a 300mm de Hg);
    Sensores químicos construído com o emprego de uma membrana permeável numa das extremidades
    da Fibra. A membrana contém um indicador reversível que responde a um estímulo químico mudando
    sua absorção ou luminescência.
c) Laser de Fibra:
Emprega-se uma Fibra a base de sílica dopada em seu núcleo com algum elemento terra-rara, como o érbio
ou o neodímio. A presença destes elementos em algumas partes por milhão é o bastante para que, após o
bombeio, a Fibra fluoresça com picos intenso em vários comprimentos de onda de extremo interesse como,
por exemplo, a 1,55mm (comprimentos de onda onde as Fibras de sílica "normais" podem apresentar
mínimos em atenuação e dispersão materiais. A Fibra dopada, adequadamente bombeada, pode ser usada
como meio amplificador (o sinal a ser amplificado coincide com algum pico de fluorescência) ou como um
laser, se inserida entre dois espelhos convenientemente selecionados.
d) Uso de Fibras Ópticas em Telecomunicações
    A Fibra monomodo é a opção preferida para comunicação a longa distância. Ela permite que a informação
seja transmitida a altas taxas sobre distâncias de dezenas de quilômetros sem um repetidor. Sua capacidade
de transmissão superior é possível devido a seu pequeno núcleo – entre 5 e 10 mm de diâmetro. Isto limita a
luz transmitida a somente um modo principal, o que minimiza a distorção dos pulsos de luz, aumentando a
distância em que o sinal pode ser transmitido.
Praticamente todas as aplicações de telefonia e CATV (TV a cabo) utilizam a Fibra monomodo em função
das maiores taxas de transmissão e menores atenuações do sinal. Redes de dados que requeiram taxas de
transmissão de gigabits também precisam utilizar a Fibra monomodo.
    A Fibra multimodo é usada em sistemas de comunicação como LANs (Local Area Networks) e WANs (Wide
Area Network) em campi universitários, hospitais e empresas. O diâmetro de seu núcleo é largo em
comparação ao comprimento de onda da luz transmitida. Por isso, a Fibra multimodo propaga mais que um
modo de luz. Com seu relativamente grande núcleo, a Fibra multimodo é mais fácil de conectar e unir; é a
Fibra escolhida para aplicações de curta distância consistindo de numerosas conexões.
    Fibras multimodo de índice gradual também são preferidas quando o bom acoplamento com a fonte de luz é
mais importante do que a atenuação do sinal na Fibra, ou ainda quando há preocupação com radiação, uma
vez que estas Fibras podem ser construídas com núcleo de pura sílica que não é grandemente afetado pela
radiação.
e) Transmissão e Recepção de Dados com Fibras Ópticas
    Todos os sistemas de transmissão e recepção de dados com Fibras Ópticas funcionam de forma similar ao
esquema ao lado. Consistem de transmissor que toma uma entrada elétrica e a converte para uma saída
óptica através de um diodo laser ou LED. A luz do transmissor é acoplado na Fibra com um conector e é
transmitida através da planta de cabeamento de Fibras Ópticas. A luz é ao final acoplada a um receptor, onde
um detetor converte a luz em um sinal elétrico que é então propriamente condicionado para uso do
equipamento. Do mesmo modo que com fios de cobre ou transmissão de rádio, a performance do link de
dados com Fibras Ópticas pode ser determinada pelo quão bem o sinal elétrico reconvertido no receptor é
igual ao sinal da entrada do transmissor.
    A capacidade de qualquer sistema de transmissão de dados com Fibras Ópticas depende em última análise
da potência óptica no receptor.
Fig. 15.1 - Link de fibra óptica.
..
    A figura ao lado mostra a taxa de erros em número de bits (Bit Error Rate, BER) como uma função da
potência óptica no receptor. Tanto muito pouca potência como potência demais causarão altas taxas de erro,
no primeiro caso devido a ruídos e no segundo devido à saturação do amplificador do receptor. A potência no
receptor depende de dois fatores básicos: quanto potência é lançada na Fibra pelo transmissor e quanto é
perdido por atenuação nos cabos de Fibras Ópticas que conectam o transmissor e receptor.
    Os links de dados podem ser tanto analógicos (tais como AM CATV ou monitores coloridos RGB), quanto
digitais (tais como SONET, Ethernet, FDDI ou ESCON). Ambos possuem parâmetros críticos em comum e
algumas diferenças principais. Para ambos, a margem de perda óptica é o mais importante. Ela é
determinada conectando o link a um atenuador ajustável na planta de cabos ópticos e variando a perda até
ser obtida a curva acima. Links analógicos são testados pela taxa sinal/ruído, enquanto links digitais utilizam a taxa de erros em bits como medida de performance.
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Capacidade de transmissão de dados de Fibras Ópticas
p/ Telefonia
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....Distância.....
...Largura de Banda...
...Canais de Voz...
Cobre
2,5Km
1,5 Mbit/s
24
Fibra
200Km
 2,5+ Gbit/s
32000+