NOTA EXPERIMENTAL 04 VERIFICAÇÃO EXPERIMENTAL DA LEI DE SNELL por: Antonio Carlos da Costa . 1 - Introdução A observação de fenômenos luminosos tem fascinado o homem desde as mais remotas eras. A propagação retilínea da luz por exemplo, já era conhecida na época dos Babilônios e, a igualdade entre os ângulos de incidência e reflexão, datam dos ensinamentos da escola de Platão (400 a.C.) onde nasceram as bases da Óptica Geométrica. "De todos os fenômenos o mais apaixonante é o da refração. Suas inúmeras manifestações e diversificadas aparências desde os tempos mais remotos instigaram a imaginação humana ao sonho e a fantasia. As abordagens e especulações de caráter ora místico, ora científico, em torno do assunto tem sido uma constante nos diversos graus de desenvolvimento da humanidade. Euclides (302 a.C.) em sua ÓPTICA E CATRÓPTICA, já procurava definir os efeitos da refração, o que de modo algum significa ter sido dos primeiros a se interessar pela matéria". Modificações essenciais no estudo dos fenômenos luminosos só ocorreram cerca de dois mil anos depois com os trabalhos de Descartes, que abordou de maneira integral e coerente as leis de refração descobertas por Snell, e Newton, que com sua teoria de emissão corpuscular, lançou as bases da Óptica Física. ***** Quando um feixe de luz se propaga de um meio transparente para outro, sua direção em geral muda na interface entre os dois meios. A lei de refração relaciona os ângulos do feixe incidente q i e do feixe refratado q r em relação à normal. Medindo-se vários ângulos q i e os respectivos q r podemos constatar a lei da refração, o que fica muito claro se fizermos o gráfico de sen q i x sen q r. Fig. 15.1 - Lei de Snell . 2 - OBJETIVO Determinação do índice de refração de um líquido, usando uma cubeta semi-circular montada em um espectrômetro. . 3 - PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL a) Equipamento Fig. 15.2 - Esquema óptico da montagem . Usando-se o ESPECTRÔMETRO como o da fig. 15.5, uma fonte espectral de luz (Na, He ou Hg ), e uma cubeta semi circular de vidro com um líquido desconhecido, é possível através das medidas dos ângulos de incidência , reflexão, e refração a determinação do índice de refração do líquido contido na cubeta . Na fig. 15.2 podemos observar pelo esquema óptico que o equipamento é constituído de um colimador com fenda S, uma mesa giratória , e uma luneta também presa a uma base giratória . A mesa tem uma escala dividida em graus, e uma escala em minutos. A largura da fenda é ajustada por meio de um parafuso. O funcionamento da escala para medida dos ângulos esta explicado em uma foto no laboratório. A fonte de luz ilumina a fenda S colocada no plano focal da lente L1 . Os raios paralelos emergentes do colimador incidem sobre a cubeta e sofrem um desvio angular. A luz refletida é focalizada pela luneta móvel e observa-se a fenda através da ocular (Leitura L2). A luz refratada é focalizada no anteparo colocado sobre a lente da luneta móvel e posicionada sobre o traço de referência (Leitura L3).Tanto a mesa giratória como a luneta, possuem uma trava que devem ser delicadamente apertadas, toda vez que um movimento fino for necessário. . b) método a) Alinhar a fenda de entrada de luz com a luneta de leitura, depois ajustar o zero do Vernier com a leitura L1 = 90o (Fig. 15.3 para facilitar o espaço para as leituras) b) Faça as leituras L2 e L3 para cada ângulo de incidência (A leitura L1 será feita apenas uma vez) b) Monte uma tabela contendo pelo menos 8 ângulos de incidência entre 15o e 80o. Na mesma tabela coloque uma coluna de sen q i e outra de sen qr ( Veja fig. 15.3). c) Faça um gráfico de sen q ix sen q r em papel milimetrado ou use um software, e do gráfico obtido, determine os parâmetros . . A constante n é o índice de refração do líquido em relação ao ar .
L1, L2, L3 são as leituras dos ângulos em uma das janelas de leitura. Pela geometria :
q i = 180 - | L1 - L2| 2 q r = q i - | L3 - L1 | Fig. 15.3 – Esquema geométrico para as leituras . 5 - ROTEIRO SUGERIDO a) Alinhar a fenda de entrada de luz com a luneta de leitura, depois ajustar o "zero" do Vernier com a leitura L1 = 90o Para cada um dos 2 liquidos: b) Fazer a leitura L2, observando a imagem refletida através da ocular do espectrômetro c) Fazer a leitura L3, cobrindo a luneta móvel com a tampa de alumínio (Observar a referência). d) Deslocar a cubeta aproximadamente 5o e refazer os passos b e c ( Fazer todos os deslocamentos na mesma direção). e) Fazer o gráfico sen qi x sen qr e determinar o índice do líquido. f) Fazer a análise dos êrros. Obs. 1 - O Professor definirá quais itens serão executados pelos alunos Fig. 15.4 - Gráfico obtido para glicerina . 6 - BIBLIOGRAFIA 1 - Francis A. Jenkins and Harvey White," Fundamental of Optics", MacGraw Hill. (1976). 2 - John P. McKelvey and Howard Grotch, "Fisica 4 ", Harbra - Harper & Row do Brasil, São Paulo cap 24 (1981). 3 - G. R. Fowles, "Introduction to Modern Optics", Holt, Rinehart and Winston, second edition, New York (1975). 4 - Hecht, Eugene, "Optics". Adelphi University, Addison-Wesley Publishing Company (1990). . 7 - Apêndice . I) – O espectrômetro e seus componentes Fig. 15.5 - O Espectrômetro e seus componentes . 1 - Telescópio com fenda 2 - Telescópio colimador c/ ocular 3 - Parafuso de trava da luneta 4 - Parafuso de avanço fino da mesa 5 - Parafuso de trava da mesa 6 – Lupa p/ facilitar a leitura 7 - Parafuso de trava para aj. de alt. da mesa 8 - Parafuso para ajuste do foco do colimador 9 - Paraf. de ajuste da perpendic. da mesa 10 - Parafuso de avanço fino da luneta .