Fig. 1
|
A figura acima mostra um paquímetro, com escalas em centímetros. Há vários tipos de paquímetro, mas as características gerais são semelhantes. Ele é utilizado para medidas de comprimento até aproximadamente 15 cm, com precisão de centésimos de centímetro (em geral). O objeto a ser medido é colocado entre as chamadas esperas . Como se vê, há dois tipos de esperas, para diâmetros internos e externos. |
Fig. 2
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Deve-se ler o valor da medida na escala existente no paquímetro, utilizando-se o 0 da escala do cursor. No exemplo da Fig. 2, vê-se que o zero (0) da escala do cursor se encontra entre 1,2 cm e 1,3 cm da escala do paquímetro, indicando que o comprimento medido é maior do que 1,2 cm e menor do que 1,3 cm. Procura-se agora qual é a divisão da escala do cursor que coincide com alguma divisão da escala principal do paquímetro. No exemplo, se vê que a 7 a coincide com uma divisão da escala do paquímetro. A medida final será então: 1,2 7 cm. |
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Nônio ou vernier (inventado pelo francês Pierre Vernier, que viveu entre 1580-1637) é uma escala secundária que acoplada a uma escala principal permite obter medidas lineares ou angulares menores do que a menor divisão da escala principal (que passaremos a chamar simplesmente de escala). Na parte a da figura, a menor divisão da escala é p = 1 mm, a do nônio (por construção) é n = 0,9 mm. Consequentemente, quando os zeros das duas escalas coincidem, a distância entre o 1 da escala principal e o 1 do nônio é de 0,1 mm, entre o 2 da escala principal e o 2 do nônio é de 0,2 mm e assim por diante até p9 - n9 = 0,9 mm. Isso permite que se avalie até 0,1 mm, pois a diferença entre a escala e o nônio é de 0,1p. |
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O micrômetro se destina a medidas de até alguns centímetros e precisão de 0,01
mm. Os cuidados são os mesmos que devem ser tomados para se operar o
paquímetro: destravar o aparelho antes (girando a rosca na extremidade do
cabo
) e não apertar demais o objeto a ser medido.
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Fig. 3
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Fig. 4
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No exemplo da figura, percebe-se que a cabeça (parte fixada na frente do tambor) ultrapassou 4,5 mm mas está antes de 5,0 mm. No tambor há uma escala com 50 divisões e pode-se verificar que são necessárias duas voltas do tambor para que as esperas do micrômetro se desloquem de 1mm. Olhando a escala no tambor, se vê que a divisão do tambor que concide com a linha onde está a escala retilínea é 32. A escala retilínea indica que é maior do que 4,5 mm, portanto, o tambor já deu uma volta (isto é, já percorreu 0,50mm) e está no valor 32 da segunda volta, ou seja: [0,50 + 0,32] mm. A medida final é: 4,82 mm. |
| Propriedade | Mercúrio | Vênus | Terra | Marte | Júpiter | Saturno | Urano | Netuno | Plutão |
| Período (anos) | 0,24 | 0,62 | 1,00 | 1,88 | 11,8 | 29,5 | 84,0 | 164 | 247 |
| Erro no período (anos) | 0,05 | 0,07 | 0,01 | 0,08 | 0,08 | 0,8 | 0,9 | 1 | 8 |
|
Raio médio da órbita
(UA) |
0,39 | 0,72 | 1,00 | 1,52 | 5,20 | 9,52 | 19,2 | 30,00 | 40,00 |
Fig. 5
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Esse tipo de equipamento é projetado para minimizar as forças de atrito, fazendo com que o corpo se desloque sobre um jato de ar comprimido e não entre em contato direto com a superfície do trilho. O corpo que desliza sobre o colchão de ar é chamado aqui de carrinho . Ao longo das duas faces do trilho onde se apoia o carrinho, existem orifícios com diâmetros da ordem de décimos de milímetro por onde sai o ar comprimido proveniente de um compressor externo. O Trilho de Ar é colocado inclinado em relação à horizontal, de modo que o carrinho possa descer por ele sob a ação de sua força peso. |
|
Quando dois corpos são soltos de uma altura pequena (situação na qual a
resistência do ar pode ser desprezada) eles chegam ao solo ao mesmo tempo,
independentemente de sua massa. A figura de
animação
ao lado ilustra esse caso. Isso ocorre porque a força gravitacional que a
terra exerce sobre eles é:
GM T m c / R T 2 = m c a ou seja: GM T / R T 2 = a Como GM T / R T 2 é uma constante (G é a chamada constante da gravitação universal e M T é a massa da terra), isso significa que a aceleração também é constante, independentemente das massas (ou pesos) dos corpos. |
| O modelo, que se pretende verificar, tenta explicar este movimento como a superposição de 2 movimentos. No eixo x há um movimento retilíneo uniforme e no eixo y um movimento retilíneo uniformemente variado. O modelo foi construído assim porque na direção x não há nenhuma força resultante e no eixo y existe apenas a força de atração gravitacional. Ou seja, a componente vertical do movimento do projétil é um movimento de queda livre. A figura de animação ao lado ilustra essa situação. Vê-se que a esfera que saiu da superfície horizontal com velocidade nessa direção chega ao solo ao mesmo tempo que a outra que foi solta na vertical. No laboratório, portanto, deve-se reproduzir um movimento de projétil e tentar decompor o movimento em dois: no eixo x e no eixo y. |
|
|
Como a velocidade com que a esfera sai da canaleta é sempre a
mesma em todos os lançamentos, os pares x
i
, y
i
medidos em diversos lançamentos correspondem de
fato àqueles que seriam medidos em uma fotografia estroboscópica de um único
lançamento.
A figura ao lado mostra o que acontece com a velocidade quando a esfera sai da rampa. Na direção x não há nenhuma força aplicada, portanto, não há como a esfera mudar sua velocidade nessa direção. Em y, há a força da gravidade, portanto, ela terá nessa direção uma aceleração = g . A cada marca y i no anteparo, corresponde uma sua posição na mesa (x i ) e a figura permite ver quais seriam v x e v y nessas posições. |
| Isso porque vamos medir o tempo que a esfera gasta para percorrer a distância L para diferentes valores de h ; se a inclinação não for muito grande o tempo gasto é maior e a medida fica mais precisa. A altura h é medida entre o ponto de onde a esfera é solta e o ponto final do segmento L . Serão utilizados ainda um cronômetro, uma régua e uma esfera de aço (seria melhor se fosse a mesma da aula anterior. |
Fig. 7
|
6. COLISÕES EM DUAS DIMENSÕES - PARTE I -Análise
no Referencial Laboratório
Será estudado o choque não frontal (choque de raspão ) entre uma esfera
em movimento e outra em repouso, em um plano horizontal. Na Parte I da experiência
as medidas obtidas são analisadas no Referencial Laboratório. Na Parte II a análise
é feita no Referencial Centro de Massa.
Com esta experiência (a mais
importante do curso) vamos estudar um fenômeno muito comum no nosso dia a dia: as
colisões, os choques, as interações. Colisões ou, de uma maneira mais geral,
interações são um dos fenômenos mais comuns no nosso dia a dia e são o
mecanismo através do qual o ser humano se comunica com o mundo ao seu redor e
se insere no seu meio ambiente.
Nas
inter-ações, como a própria etimologia da palavra indica, uma ação
qualquer acontece entre dois ou mais corpos, uma informação
qualquer é trocada entre eles. Qualquer tentativa de entender e de medir
características do universo que nos cerca, tanto no microcosmo como no
macrocosmo, também é uma interação. Qualquer medida que se faça é uma
interação, na qual ou o aparelho de medida, ou o observador, ou ambos, interagem
com o objeto (fenômeno) a ser medido (analisado).
É
esse o fenômeno que estudaremos. Qual o
modelo que construiremos para tentar explicá-lo? Vamos restringir o objeto de
nosso estudo à interação, colisão, entre apenas dois corpos além
de tudo vamos supor que não haja nenhuma ação de qualquer outro corpo
influenciando essa inter-ação entre os dois corpos considerados.
Como
base no que já vimos até agora nesse nosso curso, podemos afirmar que o estado
de movimento do conjunto dos dois corpos (corpo 1 e corpo 2) não
irá se alterar, já que não nenhuma ação externa ao sistema (o conjunto dos dois
corpos) sendo exercida sobre ele.
Portanto,
como não há nada agindo sobre eles a partir de fora, devemos esperar que o
estado de movimento deles não se alterará. Ou seja, o quanto que eles têm de
movimento não muda. Isso, em uma linguagem mais técnica, significa: a quantidade
de movimento total se conserva. A energia total também se conserva sempre, mas
não a energia cinética, que só se conserva em certo tipo de choque, chamado
choque elástico.
É
difícil testar esse modelo em laboratório, pois sempre existem forças de atrito,
que mascaram o resultado final. Como a força de atrito é uma força de contato,
se fosse possível efetuar o choque no ar e analisar as trajetórias antes
e depois do choque também no ar , os efeitos das forças de atrito seriam
reduzidos praticamente a zero. Isso porque a única força dissipativa neste caso
seria a resistência do ar, totalmente desprezível se as velocidades forem
baixas e as trajetórias curtas. A figura a seguir mostra como se consegue
efetuar o choque no ar e medir as velocidades.
A esfera 1 desce a canaleta e no fim dela terá velocidade apenas horizontal.
Essa velocidade antes do choque pode ser medida através do alcance da esfera 1,
marcado quando ela bate na mesa sem colidir com a esfera 2 ( Movimento de projéteis ). Após o choque, as
velocidades das duas esferas também serão medidas pelos seus alcances.
Como antes do choque só
havia quantidade de movimento horizontal (a esfera incidente sai da canaleta
com velocidade apenas na horizontal), é a quantidade de movimento nessa direção
que deve ser conservada e essa pode ser facilmente medida, utilizando uma
técnica semelhante à utilizada na experiência de projéteis.
Através dos resultados obtidos será possível verificar se foram conservadas a
quantidade de movimento e a energia cinética e também calcular a elasticidade
do choque.
A precisão dos resultados dependerá criticamente dos cuidados tomados no
manuseio do equipamento. Deve-se repetir as medidas se os resultados não forem
satisfatórios.
a. material utilizado
Rampa de lançamento, 3 esferas de aço, duas delas com massas iguais, balança,
cartolina, papel carbono, fio de prumo.
Fig. 8
|
A Fig. 8 mostra a parte final da rampa de lançamento com um suporte metálico
onde se coloca a esfera alvo. O suporte é fixado na canaleta de modo a poder
girar
, possibilitando alterar o parâmetro de impacto do choque, como mostra a
figura.
b. procedimento A rampa é utilizada para garantir que a esfera incidente tenha sempre a mesma velocidade antes do choque, desde que solta sempre do mesmo lugar. Como já foi visto na aula de movimento de projéteis, o alcance máximo depende da velocidade horizontal do corpo, que é constante porque não há força resultante nessa direção. Portanto, se soltamos a esfera de um certo ponto da canaleta e deixamos ela cair na mesa, a distância entre a projeção do fim da canaleta até o ponto de impacto é proporcional à velocidade. |
Como
a esfera incidente tem apenas velocidade na direção horizontal e o choque se dá
em um plano horizontal (o plano que contém os centros das duas esferas), a
esfera alvo também receberá dela apenas velocidade na direção horizontal,
consequentemente, a distância entre o ponto onde ela caiu na mesa até a
projeção do suporte onde ela estava é proporcional à sua velocidade após a
colisão. E a distância entre o ponto onde a esfera incidente bate na mesa após
o choque até a projeção do fim da canaleta é proporcional à sua velocidade após
o choque. Portanto, marcando-se esses pontos e medindo-se as distâncias,
pode-se testar o modelo físico do choque em duas dimensões, verificando as leis
de conservação.
As posições das esferas em um determinado instante serão marcadas utilizando-se
o movimento vertical. O tempo de queda poderá ser determinado facilmente
medindo-se h ± Δ h.
Antes de iniciar as medidas, meça as massas das três esferas que você vai
utilizar.
Comece
fazendo alguns lançamentos com e sem choque para regular a melhor altura do fim
da canaleta em relação à mesa, para evitar que alguma das esferas caia fora da
cartolina utilizada para marcar os pontos. Convém que a altura da qual a esfera
é solta (acima da parte horizontal da canaleta) não seja muito grande e também
que a altura do fim da canaleta em relação à mesa não seja muito alta. Assim se
minimizam os efeitos de eventuais irregularidades na canaleta e obtém-se uma
melhor distribuição dos pontos experimentais na cartolina. Se esses efeitos
fossem iguais para cada lançamento, eles não seriam importantes para o estudo
que se quer fazer. Mas eles podem variar a cada lançamento e por isso convém
reduzir o percurso da esfera sobre a canaleta.
As medidas serão feitas com esferas de massas iguais e depois (com outra
cartolina) com esferas de massas diferentes. Em ambos os casos serão
selecionados 7 parâmetros de impacto diferentes (isso é, 7 posições diferentes
da esfera alvo), dispostos razoavelmente espaçados e dos dois lados da
canaleta. Procure alinhar cuidadosamente os centros de massa das duas esferas
na mesma horizontal e sempre evitar que o centro de massa da esfera alvo esteja
para trás do centro de massa da esfera incidente. Para cada parâmetro
serão feitos 5 lançamentos.
Em nossa convenção, "1" é a esfera incidente e "2" a esfera
alvo. Marque as origens: O1 é a origem para a esfera incidente
(a projeção na mesa do fim da canaleta), O2 é a origem para a esfera alvo (a
projeção na mesa do pino onde o alvo está apoiado, marque esse ponto
cuidadosamente usando o fio de primo fixado no pino).
O segmento O1i é proporcional à velocidade inicial
(antes do choque) da esfera incidente,
Os segmentos O1j ( j variando de 1 até 7) são
proporcionais às velocidades finais (depois do choque) da esfera incidente,
para os parâmetros de impacto de 1 até 7 (cada j é a posição média de
cada um dos 5 lançamentos, para cada parâmetro de impacto),
Os segmentos O2j ( j variando de 1 até 7) são
proporcionais às velocidades finais (depois do choque) da esfera alvo, para os
parâmetros de impacto de 1 até 7 (as posições médias dos 5 lançamentos para
cada parâmetro de impacto j ),
Marque cuidadosamente na cartolina todos os pontos de impacto, seguindo a
convenção acima. Só coloque o carbono após efetuar alguns lançamentos e ter uma
idéia de onde as esferas cairão. Use pedaços pequenos de carbono, só nos pontos
de impacto previamente estimados, para possibilitar uma melhor visão do
conjunto.
c. relatório (sempre que for o caso,
os itens devem ser respondidos para as medidas com esferas de massas iguais e
diferentes)
1. Demonstre claramente que os segmentos O1j e O2j são proporcionais às
velocidades depois do choque e O1i à velocidade da esfera incidente antes do
choque. Determine numericamente a(s) constante(s) de proporcionalidade,
2. justifique claramente as diferenças que você obteve nas medidas com esferas de mesma massa e com massas diferentes,
3. determine as direções dos vetores velocidade de cada esfera e seus módulos
antes e depois do choque, fazendo a média (vetorial) para cada parâmetro de
impacto,
4. determine os vetores quantidades de movimento de cada esfera antes e depois
do choque,
5. no caso de esferas de massas diferentes, qual a constante (ou quais as constantes) de proporcionalidade entre os alcances e as quantidades de movimento? Justifique claramente,
6. mostre que no Referencial Laboratório, a energia cinética é a soma da
energia cinética de translação do CM mais a energia cinética no Referencial CM.
Antes do choque temos:
E C L = (1/2)Mv 2 + E
C CM , onde M = m 1 + m 2
7.
determine graficamente, na cartolina ou em uma cópia dela, o vetor velocidade
relativa de aproximação antes do choque ( v 1i - v 2i
) e o de afastamento ( v 2f - v 1f )
depois do choque, para três parâmetros de impacto diferentes,
8. a partir dos resultados do item 7., você pode concluir alguma coisa a
respeito do tipo de choque?
9. os pontos de impacto das esferas na mesa formam uma circunferência ou duas.
A partir dessa figura você pode chegar a alguma conclusão quanto ao tipo de
choque? Demonstre detalhadamente o porque da resposta,
10. meça os raios das circunferências para cada um dos lançamentos e faça um
histograma para o caso de esferas de mesma massa e para o caso de esferas de
massas diferentes. Ajuste ao histograma uma gaussiana
calculada, de igual área, valor médio e desvio padrão. Para medir os raios,
considere cada um dos 5 lançamentos para cada um dos 7 parâmetros de impacto
diferentes. Será um total de 35 valores para cada uma das duas esferas, dando
um total de 70 valores. Os raios serão as distâncias entre cada um desses 70 pontos e a extremidade do vetor
que dá a velocidade do Centro de Massa no referencial Laboratório.
11. o sistema das duas esferas pode ser considerado um sistema isolado na
análise do choque? E a força gravitacional, não é uma força externa?
12. faça um estudo detalhado da conservação da energia entre o fim da canaleta
(logo antes do choque) e o instante em que as esferas tocam na mesa, quando
ambas têm velocidades também na direção y ,
11.
na Conclusão, faça uma análise detalhada do choque no Referencial Laboratório
(conservação da Quantidade de Movimento, e, eventualmente, da Energia
Cinética), verificando quantitativamente se seu modelo foi ou comprovado e
dentro de que precisão.
13. ainda na Conclusão, discuta
claramente qual o efeito da força de atrito nesta experiência.
Cada aluno deve apresentar uma cópia da
cartolina de dados, com os cálculos que ele fez individualmente.
7.
COLISÕES EM DUAS DIMENSÕES - PARTE II -Análise no Referencial Centro de Massa
Os dados obtidos na aula anterior serão agora analisados no Referencial Centro
de Massa, para massas iguais e para massas diferentes. Essa parte da
experiência visa a familiarizar o aluno com o Referencial Centro de Massa
(rever o conceito de Centro de Massa).
Análises
de fenômenos físicos envolvendo muitos corpos (principalmente em Física das
Partículas Elementares) podem ser muito simplificadas quando são feitas em um
sistema de referência chamado Referencial Centro de Massa (CM). Freqüentemente
não é intuitivo perceber o seu significado, mas ajuda muito pensar que ele é
apenas mais um sistema de referência, com a única diferença que a sua origem
está no Centro de Massa.
Considere
na Rodovia dos Bandeirantes, dois carros que se movem no sentido Interior-São
Paulo com velocidades constantes, o da frente com 100 km/h e o de trás com 120
km/h. Quando dizemos essas velocidades, mesmo que não o explicitemos, fica
claro que são as velocidades em relação ao chão, que é o sistema de referência
que chamamos Referencial Laboratório. Em relação ao carro da frente, isso é, em
um sistema de referência no qual o carro da frente está parado (a origem desse
sistema está no carro da frente), o carro de trás se aproxima dele a 20 km/h.
Isso é bastante intuitivo. E em relação a um sistema de referência cuja origem
esteja no Centro de Massa do conjunto dos dois carros? Para visualizarmos
melhor como as coisas acontecem nesse referencial, vamos considerar os dois carros
com mesma massa. Portanto, em qualquer momento, independentemente das
velocidades dos dois carros, o Centro de Massa estará a meia distância entre
eles. Para entender melhor isso, vamos considerar uma situação em que a
distância que separa os dois carros é 100km, com o CM a 50 km de cada carro.
Após 30 minutos o carro de trás percorreu 60 km e o da frente percorreu 50 km e
a distância entre eles cai para 90 km, porque o de trás rodou 10 km a mais que
o outro. Se a distância entre eles agora é de 90 km, o CM está a 45 km de cada
carro, ou seja, em 30 minutos o CM percorreu 55 km. Logo, sua velocidade é 110
km/h, que é igual a (120 + 100)/2. Isso significa que a velocidade do CM em
relação ao chão (portanto, no Referencial Laboratório) é a média da velocidade
dos dois carros em relação ao mesmo referencial.
Vamos
deduzir essa velocidade rigorosamente. Para isso, considere uma situação em que
o corpo de massa m1 se
aproxima do corpo de massa m2, como no esquema abaixo (onde CM
representa a posição do Centro de Massa) :
m1 CM
m2 v1il vCMl v2il
· · ·
¾® ® v1CM v2CM
Os índices i se aplicam à experiência de Colisões e se referem às
situações antes do choque, os índices f se referem a depois do choque, CM se refere
ao sistema Centro de Massa,
se refere ao Sistema Laboratório, o índice 1 se refere à esfera incidente (que se move no caso
particular desta experiência), o índice 2 se refere à esfera alvo (que está parada no caso
particular desta experiência), v representa velocidade, m as massas.
Pela definição de Centro de Massa, sua coordenada é
(em uma dimensão):
(m1 + m2)XCM = m1 x1 + m2 x2 , derivando
a expressão acima em relação ao tempo, nós obtemos as velocidades:
(m1 + m2) vCMl =
m1v1il + m2 v2il
Essa
é pois a velocidade do CM. É importante saber distinguir a
velocidade do Centro de Massa e a
velocidade no Centro de Massa.
Velocidade do CM significa a velocidade do Centro de Massa no sistema de
referência do laboratório (Referencial Laboratório), que é o sistema mais normal
de referência, o sistema do dia a dia, associado a uma mesa, ao chão etc.
Velocidade no CM significa a velocidade medida em relação a um sistema de
referência onde o CM está parado , para isso é necessário efetuar
uma mudança do sistema de coordenadas, pois no caso desta experiência, o CM
está se movendo em relação ao Referencial Laboratório . Vamos obter as velocidades de cada corpo no
Referencial Centro de Massa. A
velocidade da esfera 1 em relação ao Centro de Massa é a velocidade com
que ela se aproxima do CM menos a velocidade com que o CM foge dela. Ou
seja, a velocidade da esfera 1 em relação ao Referencial Laboratório (v1il) menos a velocidade do CM em relação ao mesmo
sistema (vCMl). Deve-ser notar que
o CM se move em relação ao Sistema Laboratório.
A
velocidade da esfera 2 em relação ao Centro de Massa é a velocidade com
que o CM se aproxima dela menos a velocidade com que ela foge do CM. Ou seja, a velocidade do
CM em relação ao Referencial Laboratório (vCMl)
menos a velocidade da esfera 2 em relação ao mesmo Referencial (v2il). Como estamos orientando o eixo das velocidades de modo que a
velocidade da esfera 1 em relação ao CM seja positiva, no caso da esfera 2 a
velocidade em relação ao CM fica negativa. Resumindo:
v1iCM = v1il - vCMl
v2iCM = -( vCMl - v2il)
Onde a velocidade do CM é aquela que já foi deduzida acima. Os índices i se referem a antes do choque, mas a situação é a
mesma antes e depois do choque.
Podemos ainda obter com que velocidade os dois corpos
se aproximam um do outro (ou se afastam). Para isso, basta subtrair a primeira
equação acima da segunda. obtendo-se:
v1iCM - v2iCM = v1il
- v2il
O
resultado acima mostra que a velocidade de aproximação (ou de afastamento)
medida no Referencial Centro de Massa é igual à velocidade de aproximação no
Referencial Laboratório. Isso é bastante óbvio, porque as velocidades com que
os corpos se aproximam ou se afastam não podem depender do particular sistema
de referência.
Através
dos resultados obtidos na cartolina é muito fácil visualizar tudo o que
foi dito acima. Os quesitos do
item "c. relatório" vão guiar o aluno para verificar se também
no Referencial Centro de Massa foi conservada a quantidade de movimento (como
previa nosso modelo, no Referencial Laboratório) e também calcular a elasticidade do choque.
A precisão dos resultados dependerá criticamente dos cuidados tomados para
traçar os vetores na cartolina. Cada aluno deve apresentar uma cópia da
cartolina de dados, com os cálculos que ele fez individualmente.
a. material utilizado
As medidas são as obtidas na aula anterior, para massas iguais e diferentes.
b. procedimento
Idem.
c. relatório (sempre que for o caso,
os itens devem ser respondidos para as medidas com esferas de massa iguais e
diferentes)
1. Represente na cartolina todos os vetores velocidades antes e depois do
choque no Referencial Centro de Massa.
2.
determine as coordenadas do Centro de Massa (CM) antes e depois da colisão;
estabeleça a trajetória do CM, diretamente na cartolina original ou em sua
cópia,
3.
verifique experimentalmente (com os dados registrados na cartolina) se houve
conservação de energia cinética (antes e depois do choque). Você pode chegar a
alguma conclusão quanto ao tipo de choque? Explique claramente porque,
4. o referencial CM é chamado de referencial do momento nulo. Verifique
isso utilizando as velocidades das duas esferas medidas na cartolina ou
em uma cópia dela. Discuta em detalhes os resultados obtidos,
5.
use a cartolina com os pontos de impacto para determinar as velocidades
do CM antes e depois do choque e verifique se houve conservação da quantidade
de movimento no Referencial CM. Verifique isso utilizando as velocidades das
duas esferas medidas na cartolina ou em uma cópia dela. Discuta em detalhes os
resultados obtidos,
6. determine graficamente, na cartolina ou em uma sua cópia, o vetor velocidade
relativa de aproximação antes do choque (v1i - v 2i
) e o de afastamento ( v 2f - v 1f )
depois do choque, para três parâmetros de impacto diferentes, no Referencial
Centro de Massa,
7. a partir dos resultados dos itens 6., você pode concluir alguma coisa a
respeito do tipo de choque?
8. usando os resultados que você obteve, determine a energia cinética em
relação ao Referencial CM,
9. Na Conclusão, faça uma análise detalhada do choque no Referencial CM
(conservação da Quantidade de Movimento, e, eventualmente, da Energia
Cinética), mostrando quantitativamente se seu modelo foi ou não comprovado e dentro de que precisão.
Este Relatório deve ser feito nos moldes usuais: Título, Resumo, Introdução, Teoria, Procedimentos, Resultados, Conclusão e Bibliografia. No item "Teoria" reveja os conceitos de Centro de Massa e de Sistemas de Referência
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b. procedimento
Empiricamente se percebe que a força exercida por uma mola (materiais elásticos em geral) é diretamente proporcional ao quanto que ela foi deslocada: quanto mais se estica ou se aperta uma mola, maior é a força que ela exerce para voltar à situação inicial: a força elástica é proporcional ao deslocamento da mola e tem o sentido contrário ao da força aplicada. Isso queremos verificar na aula de hoje. Vamos primeiro propor um modelo físico em que a força que a mola exerce seja proporcional ao deslocamento (e não à sua raiz quadrada, cúbica, ou ao seu logaritmo etc): F = -ky onde k é uma constante, que, como se percebe, indica se a mola é mais dura ou mais mole , uma vez que y é o deslocamento da mola e F é a força que ela exerce quando sofre esse deslocamento. |
Fig. 9
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Fig. 10
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a. material utilizado
O material será uma montagem com uma polia, um fio preso nela, corpos de massas diferentes, cronômetro, régua e balança. b. procedimento Até agora, em sistemas como o ilustrado na figura ao lado, a polia era sempre "ideal", isso é, sem massa (porque será que em física, ideal se contrapõe sempre ao que é real?). Agora vamos estudar o efeito da rotação da polia no movimento do sistema, agora a polia é uma polia real . Seguindo o nosso método, vamos construir um modelo baseado no que foi visto em teoria (Dinâmica de Rotação) e testá-lo no laboratório. Suponhamos que m 2 > m 1 e que M e R sejam a massa e o raio da polia, respectivamente. O modelo mais simples explica que m 2 descerá (m 1 subirá e a polia girará) desde que, de algum modo, sua força peso seja suficiente para fazer a roldana girar e para fazer subir m 1 . As acelerações de m 2 e m 1 devem ser iguais e devem estar relacionadas com a aceleração da polia, uma vez que o fio é inextensível e não escorrega na polia. |