Carta de Lançamento da CandidaturaA Unicamp que temos"... Se muito vale o já feitoMais vale o que será E o que foi feito é preciso conhecer Para melhor prosseguir" (M. Nascimento e F. Brant) A Unicamp, por qualquer indicador de excelência que se utilize, está entre as melhores universidades brasileiras. Alcançou excelente nível em vários aspectos, em particular na formação profissional, pesquisa e produção cultural. Ela desempenha também um importante papel social nas suas várias atividades de extensão, nas áreas de saúde, parcerias com os setores privado e público para o desenvolvimento tecnológico, atividades culturais e cursos de extensão, entre outros.
Esta posição foi alcançada pelo trabalho e esforço de todos os setores da universidade, corpos docente e discente, funcionários técnicos e administrativos e dos diversos níveis da administração universitária. Papel relevante neste desenvolvimento desempenharam ainda a institucionalização, a autonomia orçamentária e a gradual descentralização administrativa e qualificação do orçamento. Este desenvolvimento possibilitou que as atividades e interesses dos diversos segmentos da comunidade fossem, cada vez mais, debatidos e priorizados dentro de um ambiente de crescente diversidade, democratização e transparência de gestão. A grande questão agora é: como podemos fazer tudo isto mais e melhor? Universidade Pública e Valores Acadêmicos"There is not any part of good governmentmore worthy than the further endowment of the world with sound and fruitful knowledge" (Francis Bacon, 1605) A comunidade da Unicamp percebe que é possível uma transformação qualitativa, que nos permita realizar plenamente as potencialidades geradas e desenvolvidas até aqui. Este momento não pode ser desperdiçado, especialmente quando a conjuntura externa leva os diversos setores da sociedade a questionar e cobrar mais intensamente da universidade pública os investimentos nela efetuados. A universidade pública tem contribuído para o desenvolvimento nacional, através da formação de pessoal e geração de conhecimento, mas é preciso fazer isto ainda mais e melhor. A defesa da universidade pública brasileira exige um projeto de excelência para a Unicamp, que demonstre inequivocamente que é possível desempenhar o papel social esperado da universidade responsável e efetivamente. As respostas a estes desafios, antecipando e determinando futuras demandas, propondo soluções, determinarão o futuro da universidade pública no Brasil. Qualquer proposta de gestão para a Unicamp deve ter claramente delineadas políticas para os diversos setores da universidade que atendam às demandas da sociedade que a sustenta. Ao mesmo tempo, é preciso sinalizar claramente à comunidade universitária que as deficiências em nossas condições de trabalho, que conspiram contra a efetividade de nosso trabalho, serão sanadas, visando à evolução pretendida. Propomos como ponto fundamental a ênfase na utilização de critérios de natureza acadêmica nas decisões da vida universitária, sempre levando-se em conta a pluralidade que caracteriza a universidade como instituição. Nas unidades de ensino e pesquisa este processo já está bastante avançado, e é essencial que a administração da universidade adote esta posição como ponto central de sua atuação. Valores acadêmicos significam respeito à diversidade, primazia dos objetivos mais elevados da instituição sobre a burocracia e alinhamentos ideológicos. Significam compromisso com a instituição - a Unicamp em primeiro lugar - e com seu papel de universidade pública exemplar.
A Unicamp que queremos"... a universidade deve ser um organismo enão uma colônia de organismos, não um conglomerado. Que ela atue como atua uma grande orquestra para obter uma sinfonia. Se os músicos tocassem cada um isoladamente, jamais se obteria o efeito de uma sinfonia." (Zeferino Vaz) Apresentamos a seguir alguns pontos que indicam a nossa visão do funcionamento da universidade, e desde já convidamos a todos para participarem da elaboração de um programa de ação no qual detalharemos o tratamento das preocupações aqui destacadas. O objetivo é fazermos da Unicamp um exemplo de como uma instituição pública pode ter qualidade a partir de uma comunidade interna satisfeita com seu trabalho e orgulhosa de sua contribuição efetiva para o desenvolvimento econômico e social do país. Formação de lideranças intelectuaisA atividade fundamental da universidade é a formação de pessoal qualificado. Na Unicamp, além disto, desejamos formar cidadãos que possam exercer liderança profissional e intelectual em seus campos de atividade, que tenham responsabilidade social e desempenhem um papel destacado na definição do destino do próprio país. Mais do que fornecer uma educação de conteúdo formal, precisamos educar o profissional que "aprenda a aprender" com abrangência multidisciplinar, capaz de acompanhar a velocidade das modificações do mundo moderno. Para isto a educação num ambiente como o oferecido pela Unicamp, gerador de conhecimento e ativo na fronteira da ciência e da cultura, é essencial. O sucesso na educação do profissional especial que desejamos pressupõe a co-responsabilidade entre professores e alunos, traduzida num pacto de qualidade de ensino-aprendizagem que envolva os dois setores definitivamente. Ao mesmo tempo é fundamental estabelecermos mecanismos através dos quais a instituição valorize a atividade docente premiando o tempo e o esforço do professor. É preciso organizar racionalmente as atividades de ensino, e incorporar tecnologias modernas à sala de aula e ao processo de aprendizado.A geração do conhecimentoA busca constante da excelência deve orientar a geração do conhecimento na pesquisa e na produção cultural. Isto em nada contradiz a aplicabilidade e utilidade dos resultados, pelo contrário, só as reforça. O compromisso com a qualidade e a excelência exige a defesa da universidade como o locus do saber, da liberdade acadêmica e da inteligência, livre do dirigismo, mesmo o mais bem intencionado. Este é um pressuposto fundamental na defesa da autonomia universitária e na preservação da diversidade e da capacidade da universidade de olhar além dos limites exíguos do utilitarismo e de conjunturas momentâneas.Gestão da universidadePara realizar as transformações que a qualificação e o amadurecimento da Unicamp permitem, é preciso adequar os métodos de gestão e o funcionamento das atividades de apoio. Ao lado do permanente esforço de qualificação dos funcionários, é preciso criar as condições de trabalho e motivação para que seu desempenho seja cada vez mais profissional e efetivo. É necessário também simplificar drasticamente os trâmites e procedimentos que tanto oneram o tempo de nossa comunidade, desviando sua atenção dos objetivos principais da instituição. A transp arência orçamentária deve ser aprofundada, transformando a elaboração da Proposta Orçamentária no grande momento do planejamento e do debate sobre os rumos da universidade. Ao lado da progressiva qualificação do orçamento devemos introduzir a oportunidade para a inclusão de projetos específicos, avaliados e selecionados criteriosamente, que nos permitam, de maneira organizada, criar o futuro da Unicamp, em vez de repetirmos sempre inercialmente o passado. Especial atenção deve ser voltada à questão das aposentadorias, evitando a todo custo que um direito universalmente reconhecido seja estigmatizado como privilégio indevido. No planejamento institucional devemos recuperar o papel dos órgãos colegiados, frequentemente assoberbados com decisões muito mais adminis trativas do que conceituais. Em especial o Conselho Universitário precisa funcionar de modo que os conselheiros sejam informados da maneira mais completa e objetiva, e a partir daí possam deliberar, sobre o andamento da vida acadêmica na universidade.Universidade atuanteCabe à Unicamp papel de liderança entre as universidades brasileiras, na proposição de políticas públicas para Ciência e Tecnologia, Educação Superior, Desenvolvimento Tecnológico, e outras. Para que isto ocorra é preciso que, não apenas o Reitor, mas todas as lideranças acadêmicas da universidade tenham acesso aos setores elaboradores e propositores destas políticas; agências, comitês, comissões, conselhos, etc. As vias para este acesso precisam ser abertas pela administração superior, e em cada caso deve-se incentivar a participação dos especialistas mais adequados à função, independentemente de preferências políticas individuais. |
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