A UNICAMP em Primeiro Lugar

Carta de Lançamento da Candidatura

A Unicamp que temos

"... Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir"
(M. Nascimento e F. Brant)

A Unicamp, por qualquer indicador de excelência que se utilize, está entre as melhores universidades brasileiras. Alcançou excelente nível em vários aspectos, em particular na formação profissional, pesquisa e produção cultural. Ela desempenha também um importante papel social nas suas várias atividades de extensão, nas áreas de saúde, parcerias com os setores privado e público para o desenvolvimento tecnológico, atividades culturais e cursos de extensão, entre outros.

   1986  1996
 Alunos na graduação  6.756  10.304
 Alunos na pós-graduação  4.681  9.900
 Doutorados defendidos  61  368
 Mestrados defendidos  190  773
 Porcentagem de docentes doutores  48%  82%(*)
 Artigos em revistas indexadas (SCI)  226  651
 Vagas no vestibular  1.470  2.245(+)
 Matrículas em Cursos de Extensão  367(º)  7.519
 Consultas no HC  240.234  438.585
 Cirurgias no HC  5.788  16.301
 (*) Dado de 1997    
 (+) Vestibular 1998    
 (º) Dado de 1989    

Esta posição foi alcançada pelo trabalho e esforço de todos os setores da universidade, corpos docente e discente, funcionários técnicos e administrativos e dos diversos níveis da administração universitária. Papel relevante neste desenvolvimento desempenharam ainda a institucionalização, a autonomia orçamentária e a gradual descentralização administrativa e qualificação do orçamento. Este desenvolvimento possibilitou que as atividades e interesses dos diversos segmentos da comunidade fossem, cada vez mais, debatidos e priorizados dentro de um ambiente de crescente diversidade, democratização e transparência de gestão. A grande questão agora é: como podemos fazer tudo isto mais e melhor?

Universidade Pública e Valores Acadêmicos

"There is not any part of good government
more worthy than the further endowment of
the world with sound and fruitful knowledge"
(Francis Bacon, 1605)

A comunidade da Unicamp percebe que é possível uma transformação qualitativa, que nos permita realizar plenamente as potencialidades geradas e desenvolvidas até aqui. Este momento não pode ser desperdiçado, especialmente quando a conjuntura externa leva os diversos setores da sociedade a questionar e cobrar mais intensamente da universidade pública os investimentos nela efetuados. A universidade pública tem contribuído para o desenvolvimento nacional, através da formação de pessoal e geração de conhecimento, mas é preciso fazer isto ainda mais e melhor. A defesa da universidade pública brasileira exige um projeto de excelência para a Unicamp, que demonstre inequivocamente que é possível desempenhar o papel social esperado da universidade responsável e efetivamente.

As respostas a estes desafios, antecipando e determinando futuras demandas, propondo soluções, determinarão o futuro da universidade pública no Brasil. Qualquer proposta de gestão para a Unicamp deve ter claramente delineadas políticas para os diversos setores da universidade que atendam às demandas da sociedade que a sustenta. Ao mesmo tempo, é preciso sinalizar claramente à comunidade universitária que as deficiências em nossas condições de trabalho, que conspiram contra a efetividade de nosso trabalho, serão sanadas, visando à evolução pretendida.

Propomos como ponto fundamental a ênfase na utilização de critérios de natureza acadêmica nas decisões da vida universitária, sempre levando-se em conta a pluralidade que caracteriza a universidade como instituição. Nas unidades de ensino e pesquisa este processo já está bastante avançado, e é essencial que a administração da universidade adote esta posição como ponto central de sua atuação. Valores acadêmicos significam respeito à diversidade, primazia dos objetivos mais elevados da instituição sobre a burocracia e alinhamentos ideológicos. Significam compromisso com a instituição - a Unicamp em primeiro lugar - e com seu papel de universidade pública exemplar.

A Unicamp que queremos

"... a universidade deve ser um organismo e
não uma colônia de organismos, não um
conglomerado. Que ela atue como atua uma
grande orquestra para obter uma sinfonia.
Se os músicos tocassem cada um isoladamente,
jamais se obteria o efeito de uma sinfonia."
(Zeferino Vaz)

Apresentamos a seguir alguns pontos que indicam a nossa visão do funcionamento da universidade, e desde já convidamos a todos para participarem da elaboração de um programa de ação no qual detalharemos o tratamento das preocupações aqui destacadas. O objetivo é fazermos da Unicamp um exemplo de como uma instituição pública pode ter qualidade a partir de uma comunidade interna satisfeita com seu trabalho e orgulhosa de sua contribuição efetiva para o desenvolvimento econômico e social do país.

Formação de lideranças intelectuais

A atividade fundamental da universidade é a formação de pessoal qualificado. Na Unicamp, além disto, desejamos formar cidadãos que possam exercer liderança profissional e intelectual em seus campos de atividade, que tenham responsabilidade social e desempenhem um papel destacado na definição do destino do próprio país. Mais do que fornecer uma educação de conteúdo formal, precisamos educar o profissional que "aprenda a aprender" com abrangência multidisciplinar, capaz de acompanhar a velocidade das modificações do mundo moderno. Para isto a educação num ambiente como o oferecido pela Unicamp, gerador de conhecimento e ativo na fronteira da ciência e da cultura, é essencial. O sucesso na educação do profissional especial que desejamos pressupõe a co-responsabilidade entre professores e alunos, traduzida num pacto de qualidade de ensino-aprendizagem que envolva os dois setores definitivamente. Ao mesmo tempo é fundamental estabelecermos mecanismos através dos quais a instituição valorize a atividade docente premiando o tempo e o esforço do professor. É preciso organizar racionalmente as atividades de ensino, e incorporar tecnologias modernas à sala de aula e ao processo de aprendizado.

A geração do conhecimento

A busca constante da excelência deve orientar a geração do conhecimento na pesquisa e na produção cultural. Isto em nada contradiz a aplicabilidade e utilidade dos resultados, pelo contrário, só as reforça. O compromisso com a qualidade e a excelência exige a defesa da universidade como o locus do saber, da liberdade acadêmica e da inteligência, livre do dirigismo, mesmo o mais bem intencionado. Este é um pressuposto fundamental na defesa da autonomia universitária e na preservação da diversidade e da capacidade da universidade de olhar além dos limites exíguos do utilitarismo e de conjunturas momentâneas.

Gestão da universidade

Para realizar as transformações que a qualificação e o amadurecimento da Unicamp permitem, é preciso adequar os métodos de gestão e o funcionamento das atividades de apoio. Ao lado do permanente esforço de qualificação dos funcionários, é preciso criar as condições de trabalho e motivação para que seu desempenho seja cada vez mais profissional e efetivo. É necessário também simplificar drasticamente os trâmites e procedimentos que tanto oneram o tempo de nossa comunidade, desviando sua atenção dos objetivos principais da instituição. A transp arência orçamentária deve ser aprofundada, transformando a elaboração da Proposta Orçamentária no grande momento do planejamento e do debate sobre os rumos da universidade. Ao lado da progressiva qualificação do orçamento devemos introduzir a oportunidade para a inclusão de projetos específicos, avaliados e selecionados criteriosamente, que nos permitam, de maneira organizada, criar o futuro da Unicamp, em vez de repetirmos sempre inercialmente o passado. Especial atenção deve ser voltada à questão das aposentadorias, evitando a todo custo que um direito universalmente reconhecido seja estigmatizado como privilégio indevido. No planejamento institucional devemos recuperar o papel dos órgãos colegiados, frequentemente assoberbados com decisões muito mais adminis trativas do que conceituais. Em especial o Conselho Universitário precisa funcionar de modo que os conselheiros sejam informados da maneira mais completa e objetiva, e a partir daí possam deliberar, sobre o andamento da vida acadêmica na universidade.

Universidade atuante

Cabe à Unicamp papel de liderança entre as universidades brasileiras, na proposição de políticas públicas para Ciência e Tecnologia, Educação Superior, Desenvolvimento Tecnológico, e outras. Para que isto ocorra é preciso que, não apenas o Reitor, mas todas as lideranças acadêmicas da universidade tenham acesso aos setores elaboradores e propositores destas políticas; agências, comitês, comissões, conselhos, etc. As vias para este acesso precisam ser abertas pela administração superior, e em cada caso deve-se incentivar a participação dos especialistas mais adequados à função, independentemente de preferências políticas individuais.
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